Quero ser verde – Petroleiras buscam fontes de energia renovável

Luz do sol. Em dezembro, a Equinor inaugura, no Ceará, seu primeiro projeto solar no mundo. A unidade consumiu investimentos de US$ 215 milhões, tem capacidade de 162 megawatts (MW) e será capaz de gerar energia para 170 mil famílias

RIO – Do petróleo à energia gerada a partir do sol e do vento. Como já fazem no exterior, as gigantes do petróleo iniciam no Brasil essa transição com um novo ciclo de investimentos em fontes renováveis. O movimento se dá no momento em que aumenta a pressão sobre as companhias para neutralizar emissões de carbono, que provocam o aquecimento global, e fica mais claro que elas precisarão de novas fontes de receita no futuro. Isso porque se prevê queda no consumo de combustível fóssil a partir de meados do século com o desenvolvimento de tecnologias como a do carro elétrico.

Com a participação das petroleiras, os projetos de energia solar e eólica vão passar de 8% para 18% na matriz elétrica brasileira entre 2017 e 2026, prevê a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Até lá, serão pelo menos R$ 174 bilhões em aporte nessas modalidades — metade dos investimentos para a expansão do setor de geração a ser contratada em oito anos.

— As petroleiras estão preocupadas com a própria sobrevivência no futuro. Há estimativa de que a demanda de petróleo comece a cair a partir de 2040 — explica José Mauro, diretor de Petróleo da EPE.

Nesse movimento, o Brasil é um alvo preferencial para as petroleiras porque tem condições climáticas favoráveis.

ENERGIA EÓLICA NO MAR

A Petrobras selou recentemente um memorando com a Total para investir em energia solar e eólica em terra. A estatal está em vias de assinar acordo com a Equinor para investir em projetos de energia eólica em alto-mar. A Petrobras também participa de um fundo global formado por petroleiras para estudar soluções para reduzir emissões de gases do efeito estufa em dez anos. A brasileira vai destinar US$ 100 milhões a essa iniciativa.

— Temos áreas disponíveis em várias regiões do país que podemos usar para receber esses projetos. Há um potencial muito grande. Aqui o fator de utilização do vento é de 36%, acima dos de Alemanha (20%), EUA (32%) e China (22%). A energia renovável fará parte do nosso novo plano de negócios — disse Nelson Silva, diretor de Estratégia da Petrobras. —Queremos nos preparar para a economia de baixo carbono e investir para ter o retorno adequado. É preciso ter uma racionalidade econômica.

A norueguesa Equinor, que abandonou o nome Statoil para reforçar o investimento em energia limpa, também acelera projetos verdes no Brasil. Em dezembro, inaugura, no Ceará, seu primeiro projeto solar no mundo. A unidade, que consumiu US$ 215 milhões, tem capacidade de 162 megawatts (MW) e vai gerar energia para 170 mil famílias. Verônica Coelho, vice-presidente da companhia, destaca que a meta é que, em 2030, a Equinor destine de 15% a 20% de seus investimentos a fontes alternativas:

— Até na produção de petróleo e gás, estamos buscando maior eficiência. No Campo de Peregrino, estamos com o projeto de construir um duto para levar gás (até o campo) e substituir o uso do diesel na plataforma. Na Noruega, temos plantas eólicas no mar. E, no Brasil, temos a costa inteira. Nosso foco é gerar energia limpa. É possível que participemos dos leilões de geração de energia no Brasil.

A francesa Total, que já opera uma usina solar na Bahia, tem outras quatro em construção no país.

Shell e BP, que produzem etanol no Brasil, também estão de olho em novas fontes verdes. A Shell, que deverá investir entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões por ano no mundo até 2020 em renováveis, criou uma gerência para investir em projetos solares no Brasil. Desde 2017, investe na comercialização de energia elétrica. A BP também busca oportunidades no Brasil, que, informou, vê com “grande potencial”.

Segundo José Ricardo Oliveira, sócio da consultoria EY e especializado em energia, o barateamento de fontes como a solar em âmbito global tem acelerado investimentos no setor, atraindo as companhias de petróleo.

— A aposta das petroleiras tem viés crescente. Vai ser uma das áreas que mais vão receber investimentos nos próximos anos. Além disso, as companhias querem melhorar seu portfólio, diminuindo a percepção de empresa suja.

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, diz que esse movimento é bem-vindo, mas ainda tímido:

— É preciso planejamento de longo prazo. Temos que usar o pré-sal para alavancar outras fontes de energia.

Petrobras ensaia volta a energia renovável com nova estratégia

RIO – Nos últimos cinco anos, a Petrobras não só deixou de fazer investimentos em fontes renováveis como se desfez de quase todos os negócios que tinha na geração de energia limpa, como Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e biocombustíveis. Agora, a estatal ensaia a volta ao segmento renovável, mas com foco em energias solar e eólica.

A estatal vinha priorizando projetos de produção de petróleo, principalmente no pré-sal, por darem retorno mais rápido, tendo como meta a redução de sua dívida, que superava os US$ 100 bilhões em 2014.

No programa de ajustes, a Petrobras lançou um plano de venda de ativos que incluiu projetos de geração de energia e de biocombustíveis.

Em 2008, a estatal chegou a criar uma subsidiária, a Petrobras Biocombustíveis, que tinha o objetivo de diversificar a matriz energética. Chegou à capacidade de produzir até 800 milhões de litros de biodiesel, mas as participações da estatal em usinas foram vendidas.

Mesmo destino teve a subsidiária Brasil PCH. A Petrobras, que investia nela há dez anos, vendeu sua participação de 49% à Cemig.

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia
Romana Ordoñez e Bruno Rosa

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