Conta de luz: Sobretaxa deve valer até o fim do ano

Sobretaxa deve valer até fim do ano.

Seca pressiona, e brasileiro paga bandeira tarifária mais cara por três meses seguidos

-BRASÍLIA- A falta de chuvas e o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas devem fazer a conta de luz do brasileiro ficar mais cara até, pelo menos, o mês de novembro. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou ontem que, em agosto, pelo terceiro mês consecutivo, será aplicada a bandeira tarifária vermelha no nível 2. Com isso, as contas de luz continuarão com a cobrança extra de R$ 5 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. É a primeira vez que o país passará três meses seguidos com esse patamar nas tarifas de energia, o mais elevado das cobranças adicionais. Especialistas calculam que essa bandeira deve vigorar até o fim do ano. — A estrutura atual aponta que devemos ter bandeira vermelha 2 pelo menos até novembro. Para dezembro, é de 75% a chance de ter a bandeira vermelha 2. Isso ocorre por causa das chuvas muito abaixo da média histórica e do nível muito baixo dos reservatórios. Quando se compara essas equações, não há boa perspectiva para o médio prazo — disse o vice-presidente de Operações da Comerc Energia, Marcelo Ávila.

Economistas já contavam com a manutenção da cobrança extra. Por isso, a expectativa é que o prolongado período de bandeira vermelha não tenha impacto na inflação, que deve ficar na casa dos 0,2% em agosto. — Não tem impacto porque o patamar 2 já é o último, e o efeito foi absorvido nos meses anteriores. Nossa expectativa é de um período seco — afirma Leonardo Costa, economista da Rosenberg Associados, que projeta IPCA de 3,9% para este ano.

André Braz, economista da FGV, observa que o efeito será mais observado sobre a atividade econômica. — Oferecer uma energia mais cara é encarecer a estrutura produtiva e isso não é bom nesse momento. O desejável seria ter uma energia mais barata para que faça coro à taxa de juros mais baixa para estimular a economia.

CUSTO EXTRA DESDE MAIO.

O sistema de bandeiras sinaliza o custo real da energia gerada. A cor da bandeira é impressa na conta de luz (vermelha, amarela ou verde). Quando chove menos, os reservatórios das hidrelétricas ficam mais vazios e é preciso acionar mais usinas termelétricas para garantir o suprimento de energia.

Além de mais poluentes, essas usinas são mais caras. Os custos extras decorrentes dessa geração são transferidos para o consumidor. Por isso, nesse caso, a bandeira fica amarela ou vermelha, de acordo com o custo de operação das termelétricas acionadas. “A manutenção da cor da bandeira deve-se ao prosseguimento das condições hidrológicas desfavoráveis e à redução no nível de armazenamento dos principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN)”, informou a Aneel. Como consequência, segundo o órgão, houve a manutenção do preço da energia elétrica no mercado de curto prazo no valor máximo estabelecido pela Aneel, e aumento do risco associado à falta de chuvas.

As contas de luz estão mais caras desde maio, quando foi acionada a bandeira amarela, que gera um custo extra de R$ 1 a cada 100 kW/h em energia consumida. Em junho, a sobretaxa aumentou para R$ 5, com a bandeira tarifária vermelha nível 2. O mesmo ocorreu em julho, e se repetirá em agosto. De janeiro a abril deste ano, não houve cobrança adicional na conta de luz. — As chuvas no Sudeste estão no quarto pior nível da História, por isso não apostamos na reversão da bandeira — acrescentou Ávila.

VOLUME PRÓXIMO AO REGISTRADO EM 2017

O volume da água disponível para as hidrelétricas segue em queda e voltou a se aproximar do comportamento visto no ano passado, o pior já registrado. As barragens que abastecem todo o Sistema Interligado Nacional estão cerca de 12 pontos percentuais abaixo do volume estimado para esta época do ano, segundo cálculos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A previsão da CCEE é que o nível de água nos lagos das hidrelétricas permaneça muito baixo durante todo o ano, pressionando as contas de luz. — A situação dos reservatórios continua complicada. Não temos perspectiva de chuvas em agosto e acreditamos que setembro tende a contar com pressão na tarifa por conta do maior uso das usinas térmicas — disse o diretor de Regulação da Safira Energia, André Cruz.

O nível dos reservatórios do subsistema Sudeste/ Centro-Oeste, o mais importante para a geração de energia por meio de hidrelétricas no Brasil, atingiu ontem 35,21% da capacidade de armazenamento. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), neste mesmo período do ano passado, a capacidade armazenada era de 38,54%.

Fonte: O Globo/economia

 

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